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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Consultório__ 2

O Luís Salvado avisou-me que ele e o José Vieira Mendes estão daqui a pouco no Curto Circuito para falar sobre o fim da PREMIERE. Por isso achei que era apropriado deixar esta mensagem que recebi do João Belchior:

CARAMBA!

Desculpe mas é a única interjeição que me ocorre (pelo menos daquelas que possam ser ditas) quando li o editorial da última PREMIERE! A revista vai ser descontinuada?!?

Fiquei tristíssimo ao sabê-lo... Como é possível? Assim, sem aviso? Sem tempo para uma última edição especial? Que raio de falta de consideração a HACHETTE tem pelos seus leitores!!!

Deixe-me que lhe diga, mas um dos meus enormes prazeres de início do mês era ir à procura da PREMIERE e tentar não a devorar toda de uma só vez... Tentar que as suas páginas durassem o maior número de dias… Poucas foram as publicações (aliás, não me lembro de nenhuma outra!) que tiveram este impacto em mim.

Mais uma vez se prova que, em Portugal, tudo o que não for massificante (leia-se, estupidificante) acaba por não ter espaço para crescer.

Resta-me dizer-lhe, caro Mestre (e ao fazê-lo a si sei que estou a estendê-lo à restante equipa) que, consigo, aprendi, me diverti e apurei o meu sentido crítico relativamente ao Cinema.

Obrigado e… até um dia destes (nesta ou noutra vida!)



É verdade que não deu para preparar um número especial e a capa não é das melhores. Até ainda lá vem o www.premiere.pt que já foi desactivado. Mas ainda deu para fazer uma "pequena" despedida. Acredite, há revistas que acabam de um momento para o outro e as pessoas que as fazem só ficam a saber depois de acabarem o número. Pelo menos a redacção da PREMIERE ainda conseguiu passar alguns recados... e eu também. Agradeço em nome de todos os que fizeram a Revista de Cinema ao longo de oito anos. E faço-lhe um pedido: não desista já deste país.

domingo, 7 de outubro de 2007

Consultório__ 1

Raquel Evangelina (via Internet): Esta semana no Jornal de Notícias vinha a informação da saída do grupo Hachette do país e com a saída a extinção da revista PREMIERE. É verdade? Na minha opinião acho um erro até porque fora a PREMIERE não há revista que dê destaque ao cinema, a maior parte faz um destaque maior quando se trata de um blockbuster e pouco mais que isso de resto todas as revistas dão mais destaque à vida pessoal dos actores do que propriamente aos filmes... Se vai realmente acabar a revista acho uma pena... Para cinema não há revista como a PREMIERE e para cinéfilos como eu é uma desilusão...

Parece-me apropriado começar o primeiro "Consultório" virtual com a última carta que me escreveram recebida pelo mail da PREMIERE. Por esta altura a Raquel já terá a revista e confirmou com os seus próprios olhos o que aconteceu. Um sinal de esperança: o blogue da Premiere vai continuar e de certeza será um espaço de referência para quem navega pela Internet e gosta de cinema. Leia a declaração de intenções da equipa.

Já não há muito mais a dizer. A revista tinha custos baixos (no que diz respeito às despesas com a redacção, colaboradores), houve alterações no departamento de marketing (acabou-se com a oferta daqueles perfumes a quem assinasse a revista, substituindo-os pelos mais apropriados DVDs) e as receitas de publicidade estavam a duplicar todos os meses.

Também a tiragem estava consolidada, embora longe dos irrealistas 60 mil que o Grupo desejava desde 1999 (neste momento, só as revistas que falam bastante do mercado cor-de-rosa conseguem esses números). Imprimir 18 mil exemplares e vender 17 mil é óptimo. Principalmente se pensarmos que a revista era mal distribuída em muitos pontos do país, com os leitores a fazerem autênticas operações de busca para conseguir o seu exemplar. Além disso, os assinantes, que deviam ser os mais acarinhados, eram tratados abaixo de cão.

Lembram-se de me perguntar por que razão a PREMIERE não oferecia posters ou DVDs com trailers? A Hachette nunca teve interesse em angariar investimento que permitisse concretizar essas iniciativas. Para eles, o que interessava era vender as páginas de publicidade e enfiar lá no meio umas tantas sobre cinema. Se dependesse deles, era tudo traduzido da espanhola Fotogramas. Contaram-me que a PREMIERE teve a primeira oportunidade de participar na divulgação do Senhor dos Anéis antes da estreia da Irmandade do Anel: a LNK oferecia um CD exclusivo (ou DVD, não tenho a certeza), mas o departamento de marketing rejeitou a proposta porque ainda queria ser (bem) pago para avançar. Uma completa falta de visão estratégica, se pensarmos no terramoto cinematográfico que aconteceria poucos meses depois.

Se querem que vos diga, acho que foi um milagre a PREMIERE ter aguentado tanto tempo com este tipo de "gestão".

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Apanha-me Se Puderes...



Pela última vez, os intrépidos leitores da PREMIERE fora do centro de Lisboa vão percorrer várias bancas de jornais até encontrar um exemplar da sua revista de cinema.

Quantos irão apanhar um choque ao ler as primeiras páginas?

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

A PREMIERE acaba... só em papel

A "novidade" chegou numa segunda-feira, quando o José Vieira Mendes telefona-me a avisar que a Premiere ia ser "descontinuada". Deve ser um termo para os novos tempos porque antigamente usava-se outro: FECHADA. Se tudo correu como previsto, hoje o número 96 da Premiere deve estar todo feito. E acabou-se: Portugal fica sem a sua única revista nacional sobre cinema.

Parece que não houve tempo para preparar nada especial para a despedida. Como é que se acaba com um projecto que estava longe de ser um fracasso ou uma ruína financeira? No meio de tamanha estupidez neste processo, até houve sorte numa coisa: há revistas que são preparadas normalmente e só depois é dito a quem as faz para arrumar a trouxa.

A redacção já tinha recebido os meus Dias de Criswell. Lá andei a rever os textos, cortando aqui e ali (e um dia acabou mesmo por saltar), pedindo ao Tiago Moleiro, o artista gráfico para os bons e maus momentos, para encolher as fotografias. Tudo para ter espaço para escrever o derradeiro Dia de Criswell.


Só que entretanto fui lendo as reacções de choque de vários leitores no blogue da Premiere. Não é impressionante ver tantos que guardam a revista desde o primeiro número? E conversei com algumas pessoas. E acho que todos percebemos que não só faz sentido que apareça outro projecto em que esta equipa possa trabalhar com a mesma paixão, como o blogue deve continuar. Com a certeza que todo o público que provou desde 1999 que podia existir uma revista específica sobre cinema não será traído pelos caprichos dos agentes económicos.

E os leitores que enviaram as suas perguntas para o Consultório e iam ficar sem resposta? Esta semana de choque mostrou que também o Dias de Criswell e o seu consultório têm que continuar... on line (onde, para ser sincero, já deviam estar há muito tempo). Na revista, os Dias eram sete ou oito. Como vão correr por aqui é um mistério. Mas também um belo desafio.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Última Dia de Criswell



Já com esta coluna encerrada, recebo a notícia de que este será último número da PREMIERE, a única revista que existe a nível nacional sobre cinema. É um dia muito triste, mesmo sabendo que a equipa lutou vários anos contra a falta de condições e respeito de quem mandava. E sofria, por exemplo, por não poder oferecer mais aos seus leitores, muitos deles coleccionadores desde o número 1. Acreditem, ninguém percebe como se fecha com tanta descontracção uma publicação com custos controlados, vendas estáveis e receitas publicitárias a duplicar nos últimos meses. Não pode ficar um vazio. Espero que surjam condições para um novo projecto que aproveite a paixão desta equipa. Até lá, vai continuar o blogue. E não se livram de mim tão cedo...