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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Consultório__ 5

Rita Santos (via Internet): Gostaria de saber se o filme Control sobre Ian Curtis/Joy Division ia estrear em Portugal no dia 25 de Novembro e qual seria a classificação em relação à idade. Há quem me tenha dito que o filme seria para m/16, mas achei esquisito por isso vim confirmar a uma fonte mais segura. Também gostaria de saber quando é que o Sweeney Todd iria estrear em Portugal.

Um colega meu apurou junto da LNK, que é a distribuidora, que o belíssimo Control foi hoje mesmo classificado para maiores de 16 anos e o selo de "Qualidade" destinado a certos filmes que se distinguem pela sua qualidade artística ou outras.

Isto vai de encontro às decisões tomadas na Inglaterra (maiores de 15) e Estados Unidos ("R" ou seja, alguém com menos de 17 anos só entra acompanhado de um adulto), mas se quer que lhe diga, acho que há duas formas de encarar esta decisão em Portugal. Por um lado, pode parecer exagerada vendo a quantidade de filmes com momentos "fortes" que actualmente recebem o "M/12" (daí o doce do "qualidade"). Mas também pode pecar por escassa: há coisas, momentos, estados de espírito na obra de Anton Corbijn, que vão escapar mesmo aos que já têm 30 anos!

Sweeney Todd estreia em Portugal em Janeiro de 2008, juntamente com uma mão-cheia de filmes a pensar nos Oscars, como já é tradição. Se viver na zona de Lisboa, não perca por nada a peça homónima que está no Teatro Aberto. Não é Tim Burton e Johnny Depp, mas será a melhor das antecipações.

Consultório__ 4

Joana Pinto (via Internet), inclui perguntas do leitor Pedro Silva: Será demasiado deprimente dizer que descobri a revista PREMIERE na sua última edição? Parece-me que sim, por isso vou colocar já a minha pergunta e deixar-me de rodeios!

Sou uma grande fã de séries de televisão mas nunca sei como descobrir a data em que estão previstos os seus laçamentos logo, ao ler o seu cantinho, as portas do "céu televisivo" abriram-se de par em par... Será possível me dizer quando sai (ou se sai):

-a 6ª temporada de Tal mãe tal filha
-a 1ª temporada de Heroes
-a 3ª temporada de Anatomia de Grey
-a 4ª temporada de One Tree Hill
-a 1ª temporada de How I met your mother
-a 1ª temporada de Friday Night Lights
-a 1ª temporada de Irmãos e Irmãs

Tem razão, é um bocado deprimente. Mas pense como seria pior se tivesse descoberto a PREMIERE há uns três meses e depois contactasse a Hachette para comprar números antigos. De repente, a Joana tinha uns 15 números ou mais, descobria que partes da revista gostava de ler primeiro, quais os críticos com que estava mais de acordo e por aí adiante. Ou seja, surgia uma relação de empatia, de familiaridade. Acredite que ainda seria mais complicado, basta ver o que escreveram alguns leitores mais antigos.

Agora em relação aos lançamentos em DVD. As editoras já têm mais ou menos alinhadas as novidades até ao final do ano, para aproveitar a altura em que os bolsos das pessoas vão estar mais recheados. Mas das séries que me indicou, a única que ainda chega este ano parece ser a primeira temporada do Heroes. Marque o seu calendário, é já no dia 20.

Se entretanto surgirem novidades fresquinhas, voltarei à sua carta.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Consultório__ 2

O Luís Salvado avisou-me que ele e o José Vieira Mendes estão daqui a pouco no Curto Circuito para falar sobre o fim da PREMIERE. Por isso achei que era apropriado deixar esta mensagem que recebi do João Belchior:

CARAMBA!

Desculpe mas é a única interjeição que me ocorre (pelo menos daquelas que possam ser ditas) quando li o editorial da última PREMIERE! A revista vai ser descontinuada?!?

Fiquei tristíssimo ao sabê-lo... Como é possível? Assim, sem aviso? Sem tempo para uma última edição especial? Que raio de falta de consideração a HACHETTE tem pelos seus leitores!!!

Deixe-me que lhe diga, mas um dos meus enormes prazeres de início do mês era ir à procura da PREMIERE e tentar não a devorar toda de uma só vez... Tentar que as suas páginas durassem o maior número de dias… Poucas foram as publicações (aliás, não me lembro de nenhuma outra!) que tiveram este impacto em mim.

Mais uma vez se prova que, em Portugal, tudo o que não for massificante (leia-se, estupidificante) acaba por não ter espaço para crescer.

Resta-me dizer-lhe, caro Mestre (e ao fazê-lo a si sei que estou a estendê-lo à restante equipa) que, consigo, aprendi, me diverti e apurei o meu sentido crítico relativamente ao Cinema.

Obrigado e… até um dia destes (nesta ou noutra vida!)



É verdade que não deu para preparar um número especial e a capa não é das melhores. Até ainda lá vem o www.premiere.pt que já foi desactivado. Mas ainda deu para fazer uma "pequena" despedida. Acredite, há revistas que acabam de um momento para o outro e as pessoas que as fazem só ficam a saber depois de acabarem o número. Pelo menos a redacção da PREMIERE ainda conseguiu passar alguns recados... e eu também. Agradeço em nome de todos os que fizeram a Revista de Cinema ao longo de oito anos. E faço-lhe um pedido: não desista já deste país.

domingo, 7 de outubro de 2007

Consultório__ 1

Raquel Evangelina (via Internet): Esta semana no Jornal de Notícias vinha a informação da saída do grupo Hachette do país e com a saída a extinção da revista PREMIERE. É verdade? Na minha opinião acho um erro até porque fora a PREMIERE não há revista que dê destaque ao cinema, a maior parte faz um destaque maior quando se trata de um blockbuster e pouco mais que isso de resto todas as revistas dão mais destaque à vida pessoal dos actores do que propriamente aos filmes... Se vai realmente acabar a revista acho uma pena... Para cinema não há revista como a PREMIERE e para cinéfilos como eu é uma desilusão...

Parece-me apropriado começar o primeiro "Consultório" virtual com a última carta que me escreveram recebida pelo mail da PREMIERE. Por esta altura a Raquel já terá a revista e confirmou com os seus próprios olhos o que aconteceu. Um sinal de esperança: o blogue da Premiere vai continuar e de certeza será um espaço de referência para quem navega pela Internet e gosta de cinema. Leia a declaração de intenções da equipa.

Já não há muito mais a dizer. A revista tinha custos baixos (no que diz respeito às despesas com a redacção, colaboradores), houve alterações no departamento de marketing (acabou-se com a oferta daqueles perfumes a quem assinasse a revista, substituindo-os pelos mais apropriados DVDs) e as receitas de publicidade estavam a duplicar todos os meses.

Também a tiragem estava consolidada, embora longe dos irrealistas 60 mil que o Grupo desejava desde 1999 (neste momento, só as revistas que falam bastante do mercado cor-de-rosa conseguem esses números). Imprimir 18 mil exemplares e vender 17 mil é óptimo. Principalmente se pensarmos que a revista era mal distribuída em muitos pontos do país, com os leitores a fazerem autênticas operações de busca para conseguir o seu exemplar. Além disso, os assinantes, que deviam ser os mais acarinhados, eram tratados abaixo de cão.

Lembram-se de me perguntar por que razão a PREMIERE não oferecia posters ou DVDs com trailers? A Hachette nunca teve interesse em angariar investimento que permitisse concretizar essas iniciativas. Para eles, o que interessava era vender as páginas de publicidade e enfiar lá no meio umas tantas sobre cinema. Se dependesse deles, era tudo traduzido da espanhola Fotogramas. Contaram-me que a PREMIERE teve a primeira oportunidade de participar na divulgação do Senhor dos Anéis antes da estreia da Irmandade do Anel: a LNK oferecia um CD exclusivo (ou DVD, não tenho a certeza), mas o departamento de marketing rejeitou a proposta porque ainda queria ser (bem) pago para avançar. Uma completa falta de visão estratégica, se pensarmos no terramoto cinematográfico que aconteceria poucos meses depois.

Se querem que vos diga, acho que foi um milagre a PREMIERE ter aguentado tanto tempo com este tipo de "gestão".